10/01/2008: A discussão acerca do modelo do sistema "S" ressurge na mídia, estimulada por motivos políticos e fatos conjunturais. Ora se questiona a liderança empresarial na formação de recursos humanos, era se aponta, de forma equivocada, a ausência de controle externo sobre as instituições. Fomos para a berlinda recentemente porque, como industriais, defendemos a redução da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF). Em troca, pediram o corte da arrecadação que mantém o sistema. Quem ganha com debate tão enviesado? Certamente não os trabalhadores, que saem quase todos empregados dos cursos mantidos pelo Sistema.
Há mitos que precisam ser destruídos. Um deles é o de que não há controle externo sobre o Sistema. O controle existe, é abrangente e rigoroso. As entidades são e sempre foram auditadas pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O sistema Indústria, ao qual pertencem SENAI e SESI, e que integra os "S", tem suas contas na internet.
Tampouco nos furtamos a discutir o modelo de financimento do Sistema "S", cuja compulsoriedade às empresas é questionada. Somos a favor de que continue assim, porque a capacitação não pode ficar à mercê do humor dos ciclos econômicos ou políticos. Nosso modelo é semelhante ao de países europeus. Nos Estados Unidos, a formação é feita basicamente por empresas de grande porte. Na malograda experiência latino-americana, o sistema é estatizado e sofre descontinuidades geradas por instabilidades.
Quanto à falta de trabalhadores qualificados em alguns setores da economia, isso sim é um problema real e decorre da aceleração do crescimento verificado nos últimos dois anos. Mas é totalmente incorreto atribuir ao Sistema "S" a responsabilidade pelo descompasso. O SENAI tem 65 anos de história e contabilizou, no período 43,2 milhões de matrículas. Respondeu, em 2006, por quase 50% das matrículas da educação profissional técnica de nível médio para a indústria.
Há que se considerar, ainda, que o percurso de evolução da indústria é dinâmico. Em seis décadas novos desafios, que modificaram o perfil requerido para a força de trabalho. Em respota a isso, a CNI lançou o programa Educação para a Nova Indústria, 2007 - 2010, arrojada iniciativa que ampliará em 30% as matrículas dos cursos do SENAI e do SESI, com recursos de R$ 10,5 bilhões no quadriênio. Docentes serão formados e os laboratórios, modernizados, como requer a nova indústria.
O SENAI tem áreas de excelência reconhecidas internacionalmente. Na 39ª edição do WolkdSkills Competition - maior competição mundial de educação profissional -, que acaba de ocorrer no Japão, nossos alunos ficaram com o 2º lugar entre 48 países, superados apenas pela Coréia do Sul.
Esses argumentos certamente não esgotam o assunto. Mas são elementos para a construção de debate substantivo sobre o Sistema "S". Temos a certeza de que a sociedade precisa ser bem informada.
Armando Monteiro Neto, presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria - Revista Indústria Nacional, ano 7 - nº 82 - dezembro de 2007.
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